Descoberta do Novo Planeta
Já há algum tempo, os astrônomos que sempre se intrigaram com perturbações na órbita de Netuno e Saturno passaram a cogitar sobre a possibilidade da existência de outro planeta em nosso sistema solar, muito mais afastado do Sol do que todos os outros. Eles o chamam de planeta X, o que significa tanto "desconhecido" como "décimo". Em meu livro O 12º. Planeta ficou explicado que o planeta X e Nibiru são a mesma coisa, pois os sumérios consideravam o sistema solar como constituído de doze membros: O sol, a Lua, os nove planetas que conhecemos e mais um outro, o décimo segundo - o Invasor, Marduk ou Nibiru.
Devemos ter em mente que foram perturbações na órbita de Urano que levaram à descoberta de Netuno e as na de Netuno que levaram à descoberta de Plutão, em 1930. Em 1972, quando trabalhava na antecipação da trajetória do cometa de Halley, Joseph L. Brady, do Laboratório Lawrence Livermore, na Califórnia, descobriu que a órbita do cometa de Halley também apresentava perturbações. Seus cálculos o levaram a sugerir a existência do planeta X a uma distância de 64 UA (unidades astronômicas), com um período orbital de 1.800 anos terrestres. Uma vez que Brady, como todos os astrônomos que procuram o planeta X, parte da hipótese de que ele orbita o sol como todos os outros membros do sistema, ele mede a distância entre o planeta X e o Sol considerando a metade de seu eixo maior. No entanto, segundo os textos sumérios, Nibiru orbita como um cometa, ficando o Sol num dos focos de sua elipse orbital, de modo que a distância a ser considerada deveria ser quase todo o eixo maior e não apenas sua metade. O fato de Nibiru estar voltando para seu perigeu poderia explicar o fato de a órbita calculada por Brady ser exatamente a metade da órbita de 3.600 anos terrestres que os sumérios registraram para Nibiru?
Brady chegou a outras conclusões que se mostraram em significativo acordo com os dados sumérios: o planeta X tem uma órbita retrógrada e ele não está na eclíptica ou faixa orbital ocupada por todos os outros planetas (exceto Plutão), mas inclinada em relação a ela.
Por algum tempo os astrônomos imaginaram que Plutão poderia ser a causa das perturbações nas órbitas de Urano e Netuno. Porém, em Junho de 1978, James W. Christie, do Observatório Naval dos Estados Unidos, em Washington, d.C. descobriu que Plutão tem uma lua (que ele chamou de Caronte) e é muito menor do que se imaginava. Isso eliminou esse planeta como a causa das perturbações. Além disso, a órbita de Caronte também revelou que Plutão, como Urano, está deitado de lado. Esse fato e sua estranha órbita fortaleceram a suspeita de que uma força única externa - um Invasor - tombou Urano, deslocou e tombou Plutão, e fez Tritão (lua de Netuno) ficar com uma órbita retrógrada.
Intrigados com essas descobertas, dois colegas de Christie no Observatório Naval, Robert S. Harrington (que colaborou com Christie na descoberta de Caronte) e Thomas C. Van Flandern, concluíram depois de uma série de simulações em computador que tem de haver um Invasor, um planeta com duas e cinco vezes o tamanho da Terra, com uma órbita inclinada em relação à eclíptica, com um semi-eixo de "menos de 100 UA (Icarus, vol. 39, 1979). Esse foi mais um passo da ciência moderna na confirmação da antiga sabedoria. O conceito de um intruso como o causador de todas as estranhezas no sistema solar está de acordo com os textos sumérios que falam de Nibiru. E a distância de 100 UA, se dobrada devido à posição focal do Sol, colocaria o planeta X mais ou menos onde os sumérios o localizaram.
Em 1981, em posse de dados fornecidos pela Pioneer 10 e Pioneer 11, e pelas Voyager que estudaram Júpiter e Saturno, Van Flandern e quatro de seus colegas do Observatório Naval reestudaram as órbitas desses planetas e também da dos dois exteriores. Dirigindo-se à Sociedade Astronômica Americana, Van Flandern apresentou novas evidências baseadas em complexas equações gravitacionais, indicando que um corpo celeste com pelo menos o dobro do tamanho da Terra orbita o Sol a uma distância de no mínimo 2,4 bilhões de quilômetros além de Plutão, possuindo um período orbital de no mínimo 1 mil anos terrestres. O The Detroit News de 16 de janeiro de 1981 publicou a notícia em sua primeira página, acompanhada do desenho sumério do sistema solar, emprestado de O 12º. Planeta, e um resumo da principal tese de meu livro.
A NASA juntou-se à busca pelo planeta X, sob a direção de John D. Anderson, do Laboratório de Jato Propulsão, que na época fazia os testes de mecânica celeste para as sondas Pioneer. Num comunicado emitido pelo seu Centro de Pesquisas Ames, em 17 de junho de 1982, com o título "As Pioneer Podem Encontrar o Décimo Planeta", a NASA revelou que as duas espaçonaves estavam projetadas para se envolverem na procura pelo planeta X. "As persistentes irregularidades das órbitas de Urano e Netuno sugerem fortemente que existe mesmo algum tipo de astro misterioso muito além dos planetas mais exteriores", disse o comunicado. Como as Pioneer estavam viajando em direções opostas, elas seriam capazes de determinar a distância em que se encontrava aquele corpo celeste. Se uma delas detectasse uma atração mais forte, seria um indício de que o corpo misterioso ficava perto da Terra e tinha de ser um planeta. Se ambas detectassem a mesma atração, significaria que o corpo tinha de estar entre 80 e 160 bilhões de quilômetros de distância da Terra e poderia ser uma outra "estrela escura" ou "anã marrom", mas nunca um outro membro do sistema solar.
Em setembro daquele ano, 1982, o Observatório Naval confirmou que estava "seriamente empenhado" na procura pelo planeta X. O Dr. Harrington disse que agora a sua equipe “concentrava-se numa pequena porção do céu" e acrescentou que àquela altura a conclusão era de que o planeta “movia-se muito mais devagar do que qualquer outro que conhecemos".
(Acho que nem preciso dizer que esses astrônomos que lideravam a procura pelo planeta X logo receberam longas cartas minhas, acompanhadas de exemplares de O 12º. Planeta. Suas cartas em resposta foram igualmente longas e detalhadas, e também muito delicadas.)
A transformação da procura pelo planeta X de um estudo acadêmico para uma pesquisa envolvendo o Observatório Naval (entidade da Marinha dos Estados Unidos) e supervisionada pela NASA, ocorreu simultaneamente com a intensificação do uso de naves tripuladas na busca pelo astro misterioso. É sabido que em várias missões secretas dos ônibus espaciais estes levaram telescópios para observar o espaço mais distante e que os cosmonautas da Salyut também estiveram envolvidos na procura pelo planeta X.
No meio da infinidade de pontinhos brilhantes que vemos no céu, distinguimos os planetas (e também cometas e asteróides) das estrelas fixas e galáxias porque eles se movem. A técnica empregada para captar esse movimento é fotografar várias vezes a mesma porção do céu e depois "piscar" as fotos num projetor de comparação. Isso revela a um olho treinado se algum dos pontinhos de luz mudou de posição. É claro que esse método não poderá funcionar bem para o planeta X se ele está tão distante como se afirma e move-se com grande lentidão.
Quando foi anunciado em junho de 1982 qual seria o papel desempenhado pelas Pioneer na busca pelo planeta X, o próprio John Anderson, num comentário para a Sociedade Planetária, deixou claro que, apesar das respostas que possivelmente seriam fornecidas pelas sondas, o enigma do planeta desconhecido talvez só seria solucionado por uma "investigação da vizinhança solar com raios infravermelhos", como parte de um "levantamento topográfico de todo o céu a ser feito pelo Observatório Astronômico Infravermelho (IRAS)". Esse aparelho, ele explicou, "será sensível ao calor acumulado dentro dos corpos subestelares" - um calor que vagarosamente vai se perdendo no espaço sob a forma de radiação infravermelha.
O IRAS foi colocado numa órbita a 915 quilômetros da Terra, no final de janeiro de 1983, como parte de uma ação conjunta americana, britânica e holandesa. Esperava-se que ele fosse capaz de perceber a presença de um planeta até do tamanho de Júpiter a uma distância de 277 UA. Antes do IRAS esgotar o hélio líquido que o resfriava, ele observou cerca de 250 mil corpos celestes, como galáxias, estrelas, nuvens de poeira interestelar, poeira cósmica, asteróides, cometas e planetas. Numa reportagem sobre o satélite e sua missão, o The New York Times, de 30 de janeiro de 1983, usou a manchete: ESQUENTAM AS PISTAS NA PROCURA PELO PLANETA X. O texto citava o astrônomo Ray T. Reynolds, que teria dito: "Os astrônomos têm tanta certeza da existência do décimo planeta que pensam que nada mais resta senão dar-lhe um nome".
Teria o IRAS encontrado o décimo planeta?
Embora os especialistas afirmem que levarão anos para "peneirar” e "piscar" as mais de 600 mil imagens enviadas pelo IRAS em seus dez meses de operação, a resposta oficial para a grande pergunta é: "Não, não foi encontrado um décimo planeta".
Todavia, essa resposta, para usar uma expressão delicada, não é correta.
Tendo esquadrinhado cada porção do céu pelo menos duas vezes, o IRAS possibilitou o emprego da técnica de "piscar" imagens e, ao contrário da impressão que foi transmitida ao público, descobriram-se corpos em movimento, entre eles cinco cometas antes desconhecidos, vários cometas "perdidos" pelos astrônomos, quatro novos asteróides e um enigmático objeto parecido com um cometa.
Seria talvez o planeta X?
Apesar das negativas oficiais, houve o vazamento de uma revelação no final do ano, por ocasião de uma entrevista exclusiva feita por Thomas O'Toole, da seção de ciência do Washington Post, com os cientistas do projeto IRAS. A reportagem, que não foi muito comentada - houve um certo tipo de censura -, também apareceu em outros jornais do país, com manchetes como OBJETO GIGANTE SURPREENDE ASTRÔNOMOS, CORPO MISTERIOSO ENCONTRADO NO ESPAÇO ou UM GIGANTESCO OBJETO NA BORDA DO SISTEMA SOLAR É MISTÉRIO.
O parágrafo de abertura da entrevista exclusiva começa assim:
Washington: Um corpo celeste, possivelmente tão grande como o gigantesco planeta Júpiter e talvez tão próximo da Terra que poderia ser parte de nosso sistema solar, foi encontrado na direção da constelação Órion por um telescópio orbital chamado Observatório Astronômico Infravermelho (IRAS).
Trata-se de um misterioso objeto que os astrônomos não sabem dizer se é um planeta, um cometa gigantesco, uma galáxia distante, tão jovem que ainda está no processo de formar suas primeiras estrelas, ou uma galáxia tão encoberta por poeira cósmica que por ela não passa luz das estrelas.
"Tudo o que posso lhe dizer é que não sabemos o que é isso", disse Gerry Neugebauer, o principal cientista do IRAS.
Seria esse objeto um planeta - um outro membro de nosso sistema solar? Essa possibilidade parece ter ocorrido à NASA. Ainda segundo o Washington Post:
Quando os cientistas do IRAS viram o corpo misterioso pela primeira vez e calcularam que ele estaria a apenas 80 bilhões de quilômetros, houve alguma especulação sobre se ele estaria vindo na direção da Terra.
O "corpo misterioso", ainda de acordo com a reportagem, "foi visto duas vezes pelo IRAS". A segunda observação aconteceu seis meses depois da primeira e sugeriu que o corpo mal se movera do local anterior. "Isso sugere que não se trata de um cometa porque um cometa não seria tão grande como observamos e provavelmente teria se movimentado", disse James Houck, do Centro Cornell de Radiofísica e Pesquisa Espacial, membro da equipe do IRAS.
Se o objeto observado não era um cometa, poderia ser um planeta lento e muito distante?
Segundo o Washington Post: "É bem concebível que ele seja o décimo planeta que os astrônomos têm procurado em vão".
E então, o que o IRAS descobriu? Perguntei ao Departamento de Informação Pública do Laboratório para Propulsão a Jato, JPL, em fevereiro de 1984. A resposta que recebi foi:
O cientista citado nas reportagens da imprensa usou uma declaração refletindo sua falta de dados mais concretos sobre o objeto visto pelo IRAS.
Falando de forma verdadeiramente científica, ele acrescentou com cautela que se o objeto estivesse próximo teria de ter o tamanho de Netuno. E, se distante, o de uma galáxia.
Então desapareceu a comparação com o tamanho de Júpiter. Agora falava-se de um planeta do tamanho de Netuno "se o objeto estivesse próximo" - e o de uma "galáxia"(!), se distante.
Teria o IRAS localizado o décimo planeta por meio de seus sensores de calor? Muitos astrônomos acreditam que sim. Como exemplo, citarei William Gutsch, presidente do Museu Americano Planetário Hayden, de Nova York, e editor de ciência da WABC-TV. Escrevendo sobre as descobertas do IRAS em sua coluna "Skywatch", publicada em vários jornais do país, ele falou: "Um décimo planeta já pode ter sido localizado e até mesmo catalogado", embora não tivesse sido visto com telescópios ópticos.
Teria sido essa a conclusão à qual a Casa Branca chegou, como demonstra a evolução nas relações entre as superpotências a partir de 1983 e as repetidas "hipotéticas" declarações de seus líderes a respeito de alienígenas vindos do espaço sideral?
Quando ficou determinada a existência de Plutão, em 1930, esse feito foi recebido como uma grande descoberta astronômica e Científica, mas não houve nenhuma comoção mundial. Seria de se esperar uma mesma atitude diante da descoberta do planeta X. Todavia, ela certamente não poderá ser a mesma se o planeta X e Nibiru forem uma coisa só, pois, se Nibiru existe, então os sumérios também estavam certos a respeito dos Anunnaki.
Se o planeta X existe, não estamos sós no sistema solar e as implicações para a humanidade, suas sociedades, divisões nacionais e corridas armamentistas serão tão profundas que o presidente americano estava certo ao pedir o fim do confronto entre as superpotências da Terra e cooperação no espaço.
A forte indicação de que aquilo que o IRAS localizou não era "uma galáxia distante", mas um "planeta do tamanho de Netuno", está sendo comprovada pela intensificação nos esforços para se esquadrinhar certas partes do céu com telescópios óticos e pela ênfase em centralizar as buscas no hemisfério Sul.
No mesmo dia em que foi publicada a reportagem do Washington Post, a NASA anunciou ao público que começara uma varredura óptica de nove "fontes misteriosas" de radiação infravermelha. Segundo o comunicado, o propósito dessa pesquisa era encontrar esses "corpos não identificados em partes do céu onde não existe uma fonte óbvia de radiação, tal como uma galáxia distante ou uma grande concentração de estrelas". Isso seria feito com os "telescópios mais poderosos do mundo", dois deles - um gigantesco e um menor - situados no monte Palomar, na Califórnia, e um extremamente poderoso instalado em Cerro Tololo, nos Andes chilenos, e mais "todos os outros telescópios importantes do mundo", inclusive o situado no monte Mauna Kea, no Havaí.
Na busca óptica pelo planeta X, os astrônomos estão levando em conta os comentários de Clyde Tombaugh, o descobridor de Plutão, que por mais de uma década, depois desse feito, procurou em vão por um décimo planeta. Ele concluiu que esse planeta tem "uma órbita inclinada e muito elíptica, e agora está distante do sol". Outro famoso astrônomo, Charles T. Kowal, descobridor de vários cometas e asteróides, inclusive Chiron, concluiu que não existe nenhum planeta na faixa celeste compreendida entre 15 graus acima e 15 graus abaixo da eclíptica. Mas, como seus cálculos o convenceram de que existe mesmo esse décimo planeta, Kowal sugeriu que a procura por ele deverá se concentrar numa inclinação de 30 graus em relação à eclíptica.
Por volta de 1985 muitos astrônomos se interessaram pela "teoria Nêmesis", proposta por Walter Alvarez, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e pelo seu pai, o físico laureado com o Prêmio Nobel, Luis Alvarez. Notando uma regularidade nas extinções de espécies na Terra (inclusive os dinossauros), eles apresentaram a teoria de que uma "estrela da morte" ou um planeta com uma órbita elíptica imensa e muito inclinada, periodicamente, lança uma chuva de cometas que causa morte e destruição no interior do sistema solar, atingindo também a Terra. Porém, quanto mais os astrônomos e astrofísicos (como Daniel Whitmire e John Matese, da Universidade da Luisiana) analisaram as possibilidades, mais se convenceram da existência de um planeta X, e não de uma "estrela da morte". Depois de trabalhar com Thomas Chester, chefe da equipe de dados do IRAS, na seleção das transmissões em infravermelho, Daniel Whitmire anunciou, em maio de 1985: "Existe uma possibilidade de que a presença do planeta X já tenha sido registrada e que ele será descoberto a qualquer momento". Jordin Kare, físico do Laboratório Lawrence Berkeley, sugeriu que o telescópio Schmidt, da Austrália, seja usado acoplado com um sistema de varredura por computador, denominado Star Cruncher, para esquadrinhar o céu do hemisfério Sul. Como disse Daniel Whitmire, se o planeta X não for localizado nessa região, "os astrônomos possivelmente terão de esperar pelo ano 2.600 para avistá-lo quando ele cruzar a eclíptica”.
Enquanto isso, as duas sondas Pioneer estavam avançando em direções opostas para além do reino dos planetas conhecidos, transmitindo obedientemente as observações de seus sensores. O que elas contaram sobre o planeta X? Em 25 de junho de 1987, a NASA emitiu um comunicado à imprensa com o título: "Cientistas da NASA Acreditam Que Deve Existir um Décimo Planeta", baseado em dados apresentados numa entrevista coletiva com John Anderson, que falou sobre as observações das Pioneer. Ele relatou que as sondas não tinham encontrado nada de especial e explicou que essa era uma boa notícia, pois eliminava de uma vez por todas a possibilidade das perturbações dos planetas exteriores serem causadas por uma "estrela escura" ou "anã marrom". Como as perturbações continuavam, apesar de os dados terem sido verificados e confirmados, não restavam mais dúvidas sobre elas. De fato, tinha-se chegado à conclusão de que as perturbações eram mais pronunciadas há um século, quando Urano e Netuno estavam atrás do Sol. Isso, disse o Dr. Anderson, o levou a concluir que o planeta X existe realmente, que ele tem cerca de cinco vezes o tamanho da Terra e sua órbita é mais inclinada do que a de Plutão.
Comentando a entrevista coletiva, a Newsweek (13 de julho de 1987) reportou: "A NASA convocou uma entrevista coletiva para fazer um anúncio bastante estranho: um excêntrico décimo planeta pode estar - ou não - orbitando o Sol". No entanto, a revista não esclareceu que os jornalistas foram convidados pelo Laboratório de Propulsão a Jato, o Centro de Pesquisas Ames e a sede da NASA em Washington, o que significa que aquilo que foi tornado público tinha o carimbo de aprovação das mais altas autoridades espaciais. A mensagem mais importante a ser transmitida ficou escondida no comentário final do Dr. Anderson. Perguntado quando seria encontrado o planeta X, ele respondeu: "Eu não me surpreenderei se ele for encontrado daqui a cem anos ou talvez nunca... e não me surpreenderei se for encontrado na semana que vem.
Foi esse o motivo para a convocação da entrevista coletiva com o beneplácito das três agências da NASA. Essa era a novidade.
Está bem claro, com base em todos esses acontecimentos, que seja qual for o encarregado da procura pelo planeta X ele tem certeza de que o planeta está lá, mas ainda precisa ser observado "à moda antiga", ou seja, visualmente, por meio de telescópios, antes de sua posição e órbita exatas serem calculadas. É importante notar que desde 1984, depois da enigmática revelação do IRAS, houve uma correria para se construir novos telescópios ou modernizar os antigos, tanto por parte dos Estados Unidos e União Soviética como da Europa. Os telescópios situados no hemisfério Sul foram os que receberam maior atenção. Na França, por exemplo, o Observatório de Paris constituiu uma equipe especial para procurar o planeta X e um telescópio de nova tecnologia (NTI) foi posto em funcionamento pelo Observatório Meridional Europeu em Cerro La Silla, no Chile. Na mesma época, as duas superpotências dirigiram sua atenção para o espaço sideral, empenhadas na mesma busca. Sabe-se que em 1987 os soviéticos equiparam sua estação Mir com vários telescópios poderosos quando conectaram a ela um "módulo de ciência", o Kvant descrito como uma "instalação científica de alta energia". Quatro dos telescópios, como transpirou, ficariam observando o céu do hemisfério Sul. A NASA já decidira colocar em órbita o mais poderoso telescópio espacial do mundo, o Hubble, quando o acidente com a Challenger, em 1986, praticamente paralisou todo o programa espacial americano. Há motivos para se acreditar que a expectativa de se descobrir o planeta X em pouco tempo, revelada na entrevista coletiva de junho de 1987, baseava-se na idéia de que o Hubble seria colocado em órbita naquela época. (Mas isso só aconteceu no início de 1990.)
No entanto, a procura mais sistemática e cada vez mais precisa pelo planeta X a partir da Terra continuava a ser a do Observatório Naval dos Estados Unidos. Uma série de artigos abrangentes publicados em revistas científicas por volta de 1988 reafirmou os cálculos das perturbações planetárias e a convicção de importantes astrônomos sobre a existência desse outro planeta. A essa altura, muitos cientistas já estavam apoiando a tese do Dr. Anderson de que o planeta está inclinado 30 graus em relação à eclíptica, tem uma órbita cujo semi-eixo maior mede cerca de 101 UA (portanto, o eixo maior completo mede mais de 200 UA) e sua massa é provavelmente quatro vezes maior do que a da Terra.
Possuindo uma órbita parecida com a do cometa de Halley, o planeta X passa uma pequena parte de seu período orbital acima da eclíptica (céu do hemisfério Norte) e a maior parte dele abaixo dela (céu do hemisfério Sul). Cada vez mais a equipe do Observatório Naval foi se convencendo de que a procura pelo planeta X atualmente deverá se centrar no hemisfério Sul, a uma distância 2,5 vezes maior do que a em que hoje se encontram Netuno e Plutão. O Dr. Harrington apresentou suas últimas descobertas num trabalho publicado no The Astronomical Journal (outubro de 1988), intitulado "A Localização do Planeta X", no qual havia uma ilustração mostrando qual seria a posição atual do planeta X, que valeria tanto para o hemisfério Sul como para o Norte. No entanto, depois da publicação do artigo, dados enviados pela Voyager 2, que tinha voado para Urano e Netuno, e acabara de detectar perturbações - minúsculas, mas perceptíveis - em suas órbitas, tiraram da mente do Dr. Harrington qualquer dúvida de que o planeta agora deve estar no céu do hemisfério Sul.
Enviando-me uma cópia de seu artigo, o Dr. Harrington escreveu junto ao que seria o hemisfério Norte no desenho: "Não consistente com Netuno" e perto da região Sul do céu: "Melhor área agora".
Em 16 de janeiro de 1990, o Dr. Harrington comunicou à Sociedade Astronômica Americana durante uma reunião em Arlington, Estado da Virgínia, que o Observatório Naval estava concentrando a procura pelo décimo planeta nos céus meridionais e anunciou o envio de uma equipe de astrônomos para o Observatório Astronômico Black Birch, na Nova Zelândia. Os dados da Voyager 2, ele revelou, agora estavam levando sua equipe a acreditar que o décimo planeta é cerca de cinco vezes maior do que a Terra e fica três vezes mais distante do Sol do que Netuno ou Plutão.
Esse desenrolar dos acontecimentos é entusiasmante, primeiro por estar trazendo a ciência moderna à beira de anunciar o que os sumérios sabiam há tanto tempo - que existe mais um planeta em nosso sistema solar - e, segundo, por confirmar os dados fornecidos nos textos antigos sobre a órbita e o tamanho desse planeta.
A astronomia suméria visualizava o firmamento que envolvia a Terra dividido em três faixas ou "vias". A faixa central era a "Via de Anu", assim chamada em homenagem ao governante supremo de Nibiru, e ela se estendia entre 30 graus norte e 30 graus sul. Acima dela ficava a "Via de Enlil" e abaixo a "Via de Ea/Enki". Essa divisão nunca pareceu fazer sentido para os astrônomos modernos que estudaram os textos sumérios. A única explicação que consegui encontrar para ela foi a referência que os textos mesopotâmicos fazem à órbita de Nibiru/Marduk quando ele se tomou visível para os que estavam na Terra:
Planeta Marduk:
Em seu aparecimento: Mercúrio.
Elevando-se 30 graus no arco celestial: Júpiter.
Quando parado no local da Batalha Celeste: Nibiru.
Essas instruções para se observar o planeta que estava para chegar referem-se claramente a sua progressão de um alinhamento com Mercúrio para um alinhamento com Júpiter por meio de uma elevação de 30 graus. Isso só poderia acontecer se a órbita de Nibiru fosse inclinada 30 graus em relação à eclíptica. Aparecendo a 30 graus acima da eclíptica e desaparecendo a 30 graus abaixo dela (estando o observador na Mesopotâmia), o planeta percorreria a "Via de Anu", uma faixa imaginária que se estende de 30 graus acima do equador até 30 graus abaixo dele.
O paralelo 30 norte, como foi salientado em The Stairway to Heaven, era uma "linha sagrada", ao longo da qual ficavam localizados o espaçoporto na península do Sinai, as grandes pirâmides de Gizé e o olhar da Esfinge. Parece plausível que o alinhamento tinha alguma relação com a posição de Nibiru - 30 graus no céu setentrional - quando atingia o periélio de sua órbita. Concluindo que a inclinação do planeta X pode ser de 30 graus (bastante grande) os astrônomos modernos estão confirmando os dados sumérios.
Está também confirmando esses dados a crescente aceitação de que o planeta X está chegando vindo do sudeste, da direção da constelação Centauro. Atualmente vemos lá a constelação zodiacal Libra, mas na época bíblica/babilônica, esse lugar era ocupado por Sagitário. Um texto mesopotâmico citado por R.Campbell Thompson, em Reports of the Magicians and Astronomers of Nineveh and Babylon, descreve os movimentos do planeta que se aproxima quando ele faz uma curva em torno de Júpiter para chegar ao lugar da Batalha Celeste, no Cinturão de Asteróides, o "Local da Travessia" (daí o nome Nibiru).
Quando a partir da estação de Júpiter,
o planeta passar na direção oeste,
haverá um tempo de viver em segurança...
Quando a partir da estação de Júpiter
o planeta aumentar em brilho
e no zodíaco de Câncer se tomará Nibiru,
Acad transbordará de abundância.
Pode ser ilustrado com facilidade, pois, quando o periélio do planeta estava em Câncer, seu primeiro aparecimento tinha de ocorrer na direção de Sagitário. A este respeito é pertinente citar os versos do Livro de Jó, da Bíblia, que descrevem o aparecimento do Senhor Celeste e seu retorno a sua morada longínqua:
Sozinho ele desdobra-se pelos céus
e caminha sobre as mais longínquas profundezas.
Chega na Ursa Maior, Órion e Sírius
e constelações do sul...
Mostra seu sorriso em Touro e Áries;
de Touro a Sagitário caminhará.
Esses versos não falam apenas da chegada de um planeta que vem do sudeste (e sua subseqüente volta para lá). Eles também descrevem uma órbita retrógrada.
Se existem extraterrestres, os terráqueos devem entrar em contato com eles? Se os extraterrestres são capazes de viajar pelo espaço e chegar à Terra, serão benignos ou, como H.G. Wells imaginou em A Guerra dos Mundos, eles virão para destruir, conquistar, aniquilar?
Quando a Pioneer 10 foi lançada em 1971, ela levava em seu interior uma placa gravada, cuja intenção era explicar aos extraterrestres que talvez a encontrassem, ou seus restos, de onde a sonda tinha vindo e quem a mandara. Quando as Voyager foram lançadas em 1977, eles também levavam um disco de ouro com gravuras similares, uma mensagem digital codificada e um disco com mensagens nas vozes do secretário das Nações Unidas e delegados de treze países. "Se os habitantes de outros mundos possuírem a tecnologia para interceptarem esses discos, eles serão capazes de tocá-los", disse Timothy Ferris, da NASA, dirigindo-se às Nações Unidas.
Nem todos concordaram com essa idéia. Na Grã-Bretanha, o astrônomo real, Sir Martin Ryle, condenou qualquer tentativa de os terráqueos tornarem sua existência conhecida. Ele falou de sua preocupação com a possibilidade de outra civilização ver a Terra e seus habitantes como uma tentadora fonte de minerais, alimentos e escravos. No entanto, Sir Martin foi criticado por dar pouca atenção ao que os humanos poderiam ganhar com esse contato e por criar temores desnecessários. "Dado à imensidade do espaço", escreveu o The New York Times num editorial, "é pouco provável existirem seres inteligentes a menos de centenas ou milhares de anos-luz de nós.”
Todavia, como indica a cronologia das descobertas e evolução das relações entre as superpotências, houve uma conscientização, por ocasião da primeira reunião de cúpula Reagan-Gorbachev, de três fatos. Primeiro: esses seres inteligentes estão muito mais próximos de nós do que se afirma; segundo: realmente existe mais um planeta em nosso sistema solar, que na Antiguidade era conhecido como Nibiru; e terceiro: os antigos sabiam que ele não era um planeta sem vida, como os que conhecemos, mas sim um mundo habitado por seres muito mais avançados do que nós.
Algum tempo depois do primeiro encontro Reagan-Gorbachev de 1985, sem estardalhaço ou grandes comunicações à imprensa, os Estados Unidos constituíram um "grupo de trabalho" com cientistas, especialistas em legislação e diplomatas, que deveriam se reunir com representantes da NASA e funcionários de outras agências governamentais para conversarem sobre o tema "extraterrestres". O comitê, que incluía representantes dos Estados Unidos, União Soviética e várias outras nações, conduziu seus trabalhos em coordenação com a Seção de Tecnologia Avançada do Departamento de Estado.
Qual seria a hipótese que o comitê deveria considerar? A teoria de que deve haver extraterrestres a milhares de anos-luz daqui ou se devemos ou não sair à procura deles com base na hipótese de sua existência. A tarefa apresentada a ele foi muito mais urgente e assustadora: O que deverá ser feito assim que a existência de extraterrestres for constatada?
Pouco se sabe sobre as deliberações desse comitê, mas pelo que pôde ser captado aqui e ali nos vazamentos de informações que não puderam ser evitados, está claro que sua principal preocupação foi como manter um controle firme sobre os contatos com extraterrestres e impedir uma revelação não autorizada, prematura e prejudicial do fato. Por quanto tempo a informação deverá ser mantida em segredo? Como ela deverá ser levada ao conhecimento público? Quem ficará encarregado de responder a enxurrada de perguntas que certamente virá e o que deverá ser dito?
Em abril de 1989, logo após o incidente com a Phobos 2 em Marte, esse comitê apresentou um documento com uma série de diretrizes, intitulado: Declaração de Princípios a Respeito de Atividades que se Seguirão à Detecção de Inteligência Extraterrestre. O documento tem dez cláusulas e um anexo, e está claro que seu principal objetivo é a manutenção do controle por parte de certas autoridades sobre as notícias depois da "detecção de inteligência extraterrestre".
A declaração de princípios estabeleceu diretrizes que procurarão minimizar, como disseram alguns dos que colaboraram estreitamente na elaboração do documento, "uma possível reação de pânico diante do primeiro indício de que a humanidade não está só no Universo". A declaração abre-se com a afirmação de que “nós, as instituições e os indivíduos que participam da busca por inteligência extraterrestre, reconhecendo que ela é parte integrante da exploração espacial e está sendo feita com propósitos pacíficos e no interesse comum de toda a humanidade", rogamos a todos os participantes "a observarem os seguintes princípios ao divulgar informações sobre a detecção de inteligência extraterrestre".
Esses princípios deverão ser seguidos por "qualquer indivíduo, instituição pública ou privada de pesquisas, agência governamental que acredite ter detectado qualquer sinal de inteligência extraterrestre ou outros indícios de sua existência". Eles proíbem o "descobridor" dessas evidências de "anunciar ao público que foram detectados indícios de inteligência extraterrestre" sem primeiro informar prontamente os que assinam a declaração, de modo que possa "ser formada uma rede para permitir a monitorização contínua do sinal ou fenômeno".
O documento passa então a falar sobre os procedimentos que deverão ser seguidos na avaliação, registro e proteção dos sinais e freqüências onde foram captados. E, na cláusula 8, proíbe uma resposta não autorizada:
Nenhuma resposta para um sinal ou indício de inteligência extraterrestre deverá ser enviada antes de terem sido feitas as consultas internacionais adequadas. Os procedimentos para essas consultas serão tema de um acordo ou declaração em separado.
O grupo de trabalho levou em consideração a possibilidade do "sinal" não ser apenas uma indicação de sua origem extraterrestre, mas uma "mensagem", que talvez precise ser decodificada, e partiu da hipótese de que os cientistas não terão mais do que um dia para decodifica-la antes que a notícia corra, espalhando boatos e tomando a situação incontrolável. Ele previu também uma grande pressão por parte dos meios de comunicação, "políticos" e públicos em geral em busca de um anúncio autorizado e tranqüilizador.
Por que deveria haver um pandemônio e pânico generalizado, se, digamos, as autoridades anunciassem a possibilidade da existência de vida inteligente em algum sistema solar a centenas de anos-luz da Terra? Se o comitê estava pensando, por exemplo, que um sinal desse tipo poderia vir do primeiro organismo estelar que a Voyager talvez venha a encontrar depois de sair do nosso sistema solar, devia saber que esse possível encontro só se dará daqui a 40 mil anos! Com toda a certeza, não foi essa hipótese que preocupou o grupo de trabalho.
Está claro, então, que os princípios foram elaborados em antecipação de uma mensagem ou fenômeno vindo de muito mais perto de nós, de dentro de nosso próprio sistema solar. De fato, a base legal para esses princípios, invocada pela declaração, é o tratado das Nações Unidas, que rege as atividades dos vários Estados na "exploração e uso" da Lua e outros corpos celestes do sistema solar. Por isso, segundo a declaração, o secretário das Nações Unidas também deverá ser notificado do acontecido logo depois de os governos terem sido informados e tiverem tido a oportunidade de examinar as evidências e decidir o que fazer a respeito.
Procurando tranqüilizar as várias entidades astronômicas que "demonstraram interesse e têm se envolvido na questão da existência de inteligência extraterrestre", de que a descoberta não se tornará um assunto puramente político ou nacional, os signatários da declaração concordaram com a constituição de "um comitê internacional de cientistas e outros especialistas", que não somente ajudará na avaliação das evidências como também “fornecerá consultoria sobre a liberação de informações ao público". Em julho de 1989, a seção SETI da NASA referiu-se a esse grupo de trabalho como o "comitê especial de pósdetecção". Documentos subseqüentes revelaram que a formação e atividades desse comitê internacional de consultoria ficarão sob a responsabilidade do chefe da seção SETI, da NASA.
Em julho de 1989, as superpotências se conscientizaram de que o incidente com a Phobos 2 não foi um defeito ou mau funcionamento. Imediatamente acionou-se o instrumento para reger "as atividades que deverão se seguir à detecção de inteligência extraterrestre".
A ciência moderna, sem dúvida, alcançou a sabedoria antiga - o conhecimento sobre Nibiru e os Anunnaki. E, de novo, o homem sabe que não está sozinho no Universo.
E SEU NOME SERÁ...
É costumeiro o descobridor de um corpo celeste ter o privilégio de lhe dar um nome.
Em 31 de janeiro de 1983, o autor deste livro escreveu a seguinte carta para a Sociedade Planetária:
Sra. Charlene Anderson
The Planetary Society
Pasadena, Calif. 91101
Prezada Sra. Anderson:
Em vista das recentes reportagens na imprensa sobre a busca intensificada pelo décimo planeta, estou lhe enviando cópias de minha correspondência sobre o assunto com o Dr. John D. Anderson.
Segundo o The New York Times de hoje (ver anexo), "os astrônomos têm tanta certeza da existência de um décimo planeta que acham que nada mais resta do que dar-lhe um nome".
Bem, os antigos já lhe deram um nome: Nibiru, em sumério, Marduk, em babilônio, e creio que tenho o direito de insistir em que assim ele seja chamado.
Atenciosamente
Z. Sitchin
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)



Um comentário:
Parabéns! Aijalom Wagner,
Sem dúvida nenhuma, a melhor matéria já postada, vista por mim e com toda certeza por todos os outros com o mesmo interêsse, esta é uma grande contribuição para com o público.
Postar um comentário