segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Os Mistérios da Criação 3 (Zecharia Sitchim)


Na história sobre Adão e Eva no Jardim do Éden apresentada na Bí­blia, o antagonista de Deus que os faz adquirir "conhecimento" (a capa­cidade de procriar) é a serpente, nahash em hebraico.
O termo nahash tem dois outros significados: "aquele que sabe segre­dos" e "aquele que conhece o cobre". Esses significados ou jogos de pa­lavra são encontrados no epíteto sumério para Enki: BUZUR queria di­zer "aquele que resolve segredos" e "aquele das minas de cobre". As­sim, sugeri em obras anteriores que na versão suméria original sobre a expulsão do Jardim do Éden, a serpente era Enki. O emblema desse deus era as serpentes entrelaçadas, símbolo igualmente de seu "centro de cul­to", Eridu, de seus domínios africanos em geral e das pirâmides em particular. Ele também aparece nas ilustrações dos selos cilíndri­cos sumérios que mostram eventos da Bíblia.
O que representa o emblema das serpentes entrelaçadas - ainda hoje símbolo da medicina e cura? Foi a descoberta da estrutura helicoidal do ADN pela ciência moderna que nos deu a resposta: as ser­pentes entrelaçadas imitam a estrutura do código genético, o conheci­mento secreto que permitiu a Enki criar o Adão e depois conceder ao primeiro casal a capacidade de procriar.
O emblema de Enki como sinal de cura foi invocado por Moisés quando ele fez uma nahash nehosheth - "a serpente de cobre" - para combater uma epidemia que atacava os israelitas. O envolvimento desse metal nos três significados do termo nahash e na confecção da serpente seria devi­do a algum desconhecido papel desempenhado por ele na genética e cura?
Experiências recentes, feitas nas universidades de Minnesota e St. Louis sugerem que isso é fato. Elas mostraram que o cobre-62 é um "emissor de pósitrons", valioso no acompanhamento do fluxo sanguíneo e que ou­tros componentes de cobre transportam produtos farmacêuticos para cé­lulas vivas, inclusive as do cérebro.



10
A Sabedoria que Veio do Céu

As Listas de Reis Sumérios - um registro de governantes, cidades e eventos organizados em ordem cronológica - dividem o todo forma­do pela pré-história e história em duas partes distintas: antes do dilúvio e depois do dilúvio. Na primeira época, os "deuses" Anunnaki e seus filhos nascidos de "filhas dos homens", os chamados semideuses, reinavam sobre a Terra; na segunda, os governantes humanos - reis escolhidos por Enki - foram interpostos entre os "deuses" e o povo. Em ambos os casos a instituição de uma sociedade organizada e um governo ordenado, a "monarquia", segundo os registros, "desceu do céu", ou seja, houve uma imitação terrestre da organização social e go­vernamental existente em Nibiru.
"Quando a monarquia desceu do céu", começa a Lista de Reis Su­mérios, "a monarquia ficava em Eridu. Em Eridu, Alulim tornou-se rei e governou por 28.800 anos". Depois de relacionar os outros governantes e cidades antidiluvianos, o texto declara: "Então o dilúvio var­reu a Terra". Em seguida continua: "Depois que o dilúvio varreu a Terra, quando a monarquia de novo foi descida do céu, a monarquia ficava em Kish". Daí em diante, a lista entra em épocas históricas.
Embora o tema deste livro seja o que chamamos de ciência e os anti­gos chamavam de sabedoria, algumas palavras sobre o "sistema mo­nárquico" - a boa ordem das coisas, uma sociedade organizada e suas instituições - cabem aqui porque sem ele não teria sido possível o pro­gresso científico ou a disseminação e preservação da "sabedoria". A monarquia foi um dos componentes do "pacote" que Enlil, o princi­pal administrador dos Anunnaki na Terra entregou à humanidade. É importante notar que como acontece em muitos campos da ciência, on­de ainda nos baseamos em legados sumérios, o sistema monárquico e os reis, depois de terem servido aos homens por tantos milênios, continuam existindo. Samuel N. Kramer, em History Begins at Sumer, dá-nos uma lista de "primeiros" que surgiram na Suméria, inclusive uma câmara bicameral de deputados eleitos (ou escolhidos).
Vários aspectos de uma sociedade ordeira e organizada foram incor­porados aos conceitos de monarquia, sobretudo a necessidade de justi­ça. Um rei tinha de ser "justo", outorgar e manter a legislação, pois a sociedade suméria vivia pela lei. Muitos de nós aprenderam na escola sobre Hamurábi, o rei da Babilônia, e seu famoso código, instituído no segundo milênio a.C. Mas, pelo menos 2 mil anos antes dele, os reis sumérios já tinham uma legislação semelhante. A diferença é que o có­digo de Hamurábi tratava de crime e castigo: se você fizer isto, vai lhe acontecer aquilo. Os códigos legislativos sumérios, por sua vez, trata­vam de comportamento, exigindo que fosse correto. Não se devia tirar o jumento de uma viúva ou atrasar o pagamento de um trabalhador. Essa mesma linha é encontrada nos Dez Mandamentos da Bíblia, que não é uma lista de castigos, mas um código sobre o que é certo ou erra­do, e o que não deve ser feito.
Uma administração judicial cuidava do cumprimento das leis e foi da Suméria que herdamos o conceito de juízes, júri, testemunhas e con­tratos. A unidade da sociedade que chamamos de "família", com base num casamento contratual, foi instituída na Suméria. O mesmo vale para regras e costumes de sucessão, adoção e direito das viúvas. A re­gra da lei também era aplicada a atividades econômicas: comércio com base em contratos, regras para admissão de empregados, salários e im­postos. Conhecemos muito do comércio exterior da Suméria, por exem­plo, por que havia um posto alfandegário numa cidade chamada Dre­hem, onde se mantinham registros meticulosos sobre o movimento de mercadorias e animais.
Tudo isso e muito mais surgiu sob o guarda-chuva da "monarquia". Quando os filhos e netos de Enlil entraram na cena das relações entre o homem e seus deuses, as funções da monarquia e supervisão dos reis foram passando para eles, e Enlil, como o Todo-Beneficente, tornou-se uma lembrança querida. Mas até hoje aquilo que chamamos de "so­ciedade civilizada" ainda deve sua base ao que aconteceu quando "a monarquia desceu do céu".
A "sabedoria" - ciências e artes, atividades que exigiam um know­how - foi inicialmente o domínio de Enki, o cientista-chefe dos Anun­naki, e posteriormente de seus filhos.
Aprendemos de um texto que os eruditos chamam de "Inanna e En­ki: A Transferência das Artes da Civilização", que Enki possuía certos objetos, os ME - um tipo de computador ou disquete - que continham as informações necessárias para as ciências, artes e ofícios. Che­gando a mais de cem, esses ME tratavam de temas tão diversos como a escrita, metalurgia, construção, transporte, anatomia, tratamentos mé­dicos, controle de enchentes e decadência urbana. Existiam também, como outras listagens estabeleceram, objetos contendo informações so­bre astronomia, matemática e o calendário.
Tal como a monarquia, a sabedoria também "desceu do céu", isto é, foi concedida à humanidade pelos "deuses" Anunnaki. Cabia uni­camente a eles a decisão sobre qual conhecimento científico deveria ser passado para os humanos, o que em geral se dava por intermédio de indivíduos selecionados. O caso de Adapa, a quem Enki concedeu "am­plo entendimento”, já foi mencionado. Via de regra, porém, a pessoa escolhida pertencia à classe dos sacerdotes - outro dos "primeiros" que permaneceu com a humanidade por milênios até a Idade Média, onde padres e monges também eram os cientistas.
Os textos sumérios falam de Enmeduranki, que foi preparado pelos deuses para ser o primeiro sacerdote e conta como eles:

Mostraram-lhe como observar a água e o óleo,
segredos de Anu, Enlil e Enki.
Eles lhe deram a Tábula Divina,
os segredos gravados do céu e da Terra.
Ensinaram-no a fazer cálculos com números.

Essas breves linhas contêm uma quantidade considerável de infor­mações. O primeiro assunto ensinado a Enmeduranki, o conhecimen­to da "água e do óleo", dizia respeito à medicina. Entre os sumérios, os médicos eram chamados de A.ZU ou IA.ZU, "o que conhece a água" ou "o que conhece o óleo". A diferença entre os dois estava no método pelo qual administravam os medicamentos: misturados com água e in­geridos, ou misturados com óleo e aplicados com clister. Em seguida, Enmeduranki recebeu uma tábula "divina" ou celestial, na qual esta­vam gravados os "segredos do céu e da Terra" - informações sobre os planetas, nosso sistema solar e as constelações visíveis, bem como o conhecimento das "ciências terrestres" - geografia, geologia, geometria - e, como o Enuma elish estava incorporado aos rituais do tem­plo na véspera de Ano-Novo, a cosmogonia e a evolução. E, para entender tudo isso, Enmeduranki recebeu também o conhecimento sobre um terceiro assunto, a matemática - "cálculo com números".
No Gênesis, a história de Henoc, o patriarca antidiluviano, está re­sumida na afirmação de que ele não morreu, mas foi levado pelo Se­nhor quando estava com 365 anos (número de dias do ano). No entan­to, há muito mais informações sobre ele no Livro de Henoc, que não faz parte da Bíblia, mas do qual foram encontradas várias versões. Ne­le, o conhecimento transmitido a Henoc pelos anjos está bem detalha­do e inclui a mineração e a metalurgia, os segredos do Mundo Inferior, a geografia e o ciclo da água na Terra, a astronomia e as leis que regem os movimentos celestiais, o cálculo do calendário, conhecimento sobre plantas, flores, alimentos etc. Tudo isso foi mostrado ao patriarca em livros especiais e "tábulas divinas".
O Livro dos Provérbios, da Bíblia, dedica boa parte de seus conse­lhos à necessidade do homem ser justo para conseguir a sabedoria, "pois é o Senhor que a concede". Os muitos segredos do céu e da Terra que essa sabedoria abrange estão salientados na "Ode à Sabedoria" encon­trada no Capítulo 8 dos Provérbios. O Livro de Jó também exalta as virtudes da sabedoria e toda a abundância que o homem pode obter com ela, mas pergunta: "De onde vem a sabedoria e onde está a fonte do entendimento?" Em seguida dá a resposta: "É Deus que entende seus caminhos". A palavra hebraica que foi traduzida como "Deus" é Elohim, o plural "deuses" usado nas histórias da criação. É certo que a inspiração para esses dois livros da Bíblia, senão sua fonte, foram os textos com provérbios tanto da Suméria como da Acádia e o equivalen­te sumério do Livro de Jó, que tem o interessante título: "Louvarei o Deus da Sabedoria".
Na Antiguidade não se duvidava que o conhecimento científico era uma dádiva, um ensinamento transmitido pelos deuses - os Anunna­ki, os Elohim - para a humanidade. As afirmações de que a astrono­mia era um assunto da máxima importância falam por si, pois como já ficou claro nos primeiros capítulos deste livro, na época suméria já existia um conhecimento impressionante do sistema solar completo e da cosmogonia que explicava a origem da Terra, do Cinturão de Aste­róides, e a existência de Nibiru, informações que só podiam ter sido transmitidas pelos Anunnaki.
Embora eu verifique um aumento gratificante - gostaria de pensar que é devido aos meus livros - no reconhecimento da colaboração su­méria para os primórdios e conceitos da medicina, legislação e arte cu­linária, ainda não houve a aceitação da imensa contribuição que os su­mérios fizeram para a astronomia. Isso, desconfio, é devido à hesitação de se atravessar a "porta proibida" com o passo seguinte que seria da­do, algo inevitável. Se você admite que os sumérios eram versados em assuntos celestiais, tem de admitir não somente a existência de Nibiru mas também de seu povo, os Anunnaki... Mesmo assim, esse "medo da travessia" - um bom jogo de palavras, pois o nome Nibiru signifi­ca "o planeta da travessia" - de forma nenhuma nega o fato de que a moderna astronomia deve aos sumérios (e, portanto, aos Anunnaki) o conceito básico de uma astronomia esférica com todos seus detalhes técnicos: o conceito de uma eclíptica, como o cinturão em torno do Sol onde orbitam os planetas; o agrupamento das constelações avista­das na eclíptica em casas ou "eras" do zodíaco; e a aplicação do núme­ro doze a essas constelações, meses do ano e a outros assuntos celestiais ou "divinos". A ênfase no número doze pode ser atribuída ao fato de o sistema solar ser composto de doze membros e de cada Anunnaki importante ter sido ligado a um corpo celeste, formando-se um panteão de doze "deuses", como os do Olimpo, tendo cada um deles a regência sobre uma constelação e um mês. Os astrólogos devem muito a essas divisões celestiais, já que com a revelação da existência do planeta Ni­biru eles encontram o décimo segundo membro do sistema solar do qual há tanto tempo careciam.
Como detalha o Livro de Henoc e como comprova a referência bíbli­ca ao número 365, um resultado direto dos movimentos inter­relacionados do Sol, Lua e Terra foi a elaboração de um calendário, isto é, a contagem dos meses e anos. Agora é geralmente reconhecido que o calendário ocidental, que usamos na atualidade, teve origem no primeiro calendário dos Anunnaki, conhecido como Calendário de Ni­pur. Baseados no alinhamento de seu início com o equinócio da prima­vera, na casa de Touro do zodíaco, os estudiosos concluíram que ele foi instituído no começo do quarto milênio a.C. De fato, o simples conceito de um calendário coordenado com as ocorrências dos equinócios Terra-Sol (a época em que o sol cruza o equador e dias e noites são iguais) ou, alternativamente, com os solstícios (quando o sol parece ter atingido seu ponto máximo no norte ou sul) - conceitos encontrados em todos os calendários antigos, tanto no Velho como no Novo Mundo - chegou a nós vindo da Suméria.
O calendário judaico, como repetidamente salientei em livros e arti­gos, ainda segue o Calendário de Nipur não apenas em sua forma e estrutura como também na contagem dos anos. O anno Domini 1990, no calendário judaico, é o ano 5.750 e isso não deriva, como costuma ser explicado, da data da "criação do mundo", mas da data em que se iniciou a contagem do tempo pelo Calendário de Nipur, ou seja, em 3.760 a.C.
Foi nesse ano, como sugeri em The Lost Realms, que Anu, o rei de Nibiru, veio à Terra em visita oficial. Seu nome, AN em sumério e Anu em acadiano, significava "céu" ou "O Celestial" e era componente de numerosos termos astronômicos com o AN.UR ("horizonte celestial'') e AN.PA ("ponto de zênite"), e também do nome "Anunnaki" - "os que do céu vieram à Terra". O chinês arcaico, cujas sílabas eram escri­tas e pronunciadas de uma maneira que revela sua origem suméria, usa­va, por exemplo, o termo kuan para designar um templo que servia co­mo observatório astronômico. O núcleo sumério do termo, KU.AN, sig­nificava "abertura para os céus". (A origem suméria da astronomia e astrologia chinesas foi por mim discutida no artigo: "The Roots of As­trology", publicado no número de fevereiro de 1985 do EastWest Jour­nal.) Sem dúvida, o latim annum, do qual derivou o francês année, o inglês annual e assim por diante, vem da época em que o calendário e, portanto, a contagem de anos começaram com a visita oficial de AN.
A tradição de combinar templos com observatórios astronômicos, cla­ro, não é algo limitado à China. Ela vem dos zigurates (pirâmides de degraus) da Suméria e Babilônia. De fato, um longo texto, tratando da visita de Anu e sua esposa, Antu, conta como os sacerdotes subiram ao patamar mais alto do zigurate para observar o aparecimento de Ni­biru no Firmamento. Enki transmitiu o conhecimento da astronomia (em outras ciências) para seu primogênito, Marduk, e o famoso zigura­te da Babilônia, lá erigido depois que Marduk conquistou a suprema­cia na Mesopotâmia, foi construído para servir como observatório astronômico.
Enki entregou os "segredos" do calendário, da matemática e escrita ao seu filho mais novo, Ningishzidda, a quem os egípcios chamavam de Thot. Em The Lost Realms, apresentei indícios substanciais para afir­mar que ele também era o deus da América Central conhecido como Quetzalcoatl, a "Serpente Emplumada". Ningishzidda, que em sumé­rio significa "Senhor da Árvore da Vida", refletia o fato de que fora a ele quem Enki confiara o conhecimento médico, inclusive o segredo de reviver os mortos. Um texto babilônico cita o exasperado Enki di­zendo ao seu filho Marduk que já lhe ensinara mais do que o suficien­te, depois de este insistir em aprender a arte de ressuscitar. A capacidade dos Anunnaki de realizar esse feito (pelo menos quando se tratava de seu próprio povo) está bem clara no texto "A Descida de Inanna ao Mundo Inferior", onde a deusa é morta pela sua própria irmã. Quando o pai de Inanna rogou a Enki para revivê-la, este dirigiu para o cadáver "aquilo que pulsa" e "aquilo que irradia", e trouxe a moça de volta à vida. Um desenho encontrado na Mesopotâmia mostra um paciente numa cama hospitalar recebendo tratamento de radiações.
Pondo de lado a capacidade de reviver os mortos (mencionada como um fato na Bíblia), é certo que o ensino da anatomia e medicina fazia parte do treinamento para o sacerdócio, como conta o texto sobre En­meduranki. Que essa tradição continuou ao longo dos séculos está bem clara no Levítico, um dos cinco livros de Moisés, que contém instru­ções bem completas de Iahweh para os sacerdotes israelitas sobre saú­de, diagnóstico médico, tratamento e higiene. Os mandamentos dietá­rios separando os alimentos em "próprios" (kosher) e "impróprios", sem dúvida derivam de considerações sobre higiene e saúde, e não uma observância religiosa. Muitos acreditam que a importante exigência da circuncisão também estava ligada a motivos médicos. Essas instruções no Levítico não são muito diferentes das encontradas nos primitivos textos mesopotâmicos que serviam de manuais médicos para os A.ZU e IA.ZU, ensinando os sacerdotes primeiro a observarem os sintomas e dando em seguida os remédios a serem usados em cada caso, uma lista dos produtos químicos, ervas e outros ingredientes com os quais se­riam preparados os medicamentos. O fato dos Elohim serem a fonte des­ses ensinamentos não é nenhuma surpresa quando nos recordamos dos feitos genéticos de Enki e Ninti.
Um conhecimento básico para a astronomia e funcionamento do ca­lendário, bem como para o comércio e outras atividades econômicas, é a matemática, o "fazer cálculos com números", nas palavras do texto sobre Enmeduranki.
O sistema numérico sumério é chamado sexagesimal, o que quer di­zer, com "base 60". A contagem ia de 1 a 60, da mesma forma que atualmente vamos de 1 a 100. Então, quando dizemos "200", os sumérios diziam "2 gesh", significando 2 x 60, ou seja, 120. Quando o texto pedia "menos metade" ou "menos um terço", estava mandando sub­trair a metade de 60, isto é, 30, ou um terço de 60, isto é, 20. Para nós, criados no sistema decimal ("vezes dez"), que tem como base o número dos dedos das mãos, ele pode parecer incômodo e complicado, mas para um matemático, o sistema sexagesimal é um verdadeiro deleite.
O número 10 é divisível apenas por dois números inteiros: 2 e 5. O 100 é divisível apenas por 2, 4, 5, 10, 20 e 25. O número 60, porém, é divisível por 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20 e 30. Herdamos dos sumérios o 12 na contagem das horas, o 60 na contagem de minutos e se­gundos, e o 360 dos graus de um círculo. O sistema sexagesimal ainda é o único perfeito para as ciências celestiais, contagem do tempo e geometria (onde os ângulos de um triângulo somam 180 graus e os do qua­drado 360 graus). Tanto na geometria teórica como na aplicada, usada na medição de campos, por exemplo, esse sistema tornou possível cal­cular a área de formas diversas e complexas, os volumes de recipiente de todos os tipos (para guardarem grãos, óleo ou vinho), os comprimentos de canais ou a distância entre planetas.
Quando iniciou-se a gravação de registros, usava-se um estilete de ponta redonda para imprimir na argila mole os vários símbolos que re­presentavam os números 1, 10, 60, 600 e 3.600. O numeral mais importante era o 3.600, representado por um grande círculo. Ele era chamado SAR (shar em acadiano) - o número "principesco" ou "real" - pois era o número de anos terrestres que Nibiru levava para completar uma órbita em torno do Sol.
Com a introdução da escrita cuneiforme, onde os escribas usavam um estilete com ponta em cunha, os números passaram a ser escritos também em caracteres uniformes.
A partir de então, os textos passaram a mostrar frações e múltiplos junto com sinais de combinação que instruíam o calculador a somar, subtrair, dividir ou multiplicar, e a resolver problemas de arit­mética e álgebra corretamente que seriam de difícil solução para um estudante de hoje. Entre eles estavam o cálculo do quadrado, cubo ou a extração da raiz quadrada de números. Como mostrado por F. Thureau-Dangin em Textes mathematiques Babyloniens, os antigos usa­vam fórmulas com duas e até três incógnitas que continuam sendo em­pregadas na atualidade.
Apesar de ser chamado sexagesimal, o sistema sumério de numeração e matemática não era simplesmente baseado no número 60, mas numa combinação de 6 e 10. Enquanto no sistema decimal cada etapa é reali­zada multiplicando-se a soma anterior por 10, no sumério os números aumentavam por multiplicações alternadas - uma vez por 10, depois por 6, de novo por 10 e depois por 6. Esse méto­do vem intrigando os eruditos. O sistema decimal obviamente está li­gado aos dez dedos da mão, ou dígitos, nome que ainda se usa para os números. Dessa forma, o 10 do sistema sumério é facilmente compreendido.








Tendo explicado acredito, como foi inventado o sistema sexagesimal, vejamos o que Hilprecht concluiu sobre o número 12 960 000, a base superior do sistema.
É fácil demonstrar que esse número não passa do quadrado do ver­dadeiro número dos Anunnaki – 3.600 -, que é o comprimento, em anos terrestres, da órbita de Nibiru (3.600x3.600 = 12.960.000). Foi dividindo esse número pelo 10 terrestre que se chegou ao número com o qual é mais fácil se lidar com um círculo: 360 graus. Por sua vez, 3 600 é o quadrado de 60, e foi essa relação que forneceu o número de minutos numa hora e (em tempos modernos) o de segundos num minuto, e mais, o número base do sistema sexagesimal.
A origem astronômica do número 12.960.000 consegue, como acre­dito, explicar uma intrigante afirmação da Bíblia. No Salmo 90, lemos que o Senhor - ele se refere ao "Senhor Celestial" - que tem tido sua morada nos céus por incontáveis gerações, desde a época “antes que os montes tivessem nascido e fossem gerados o mundo e a Terra", considera 1 mil anos como nada mais do que um único dia:

Pois 1 mil anos são aos seus olhos
como o ontem que passou.

Agora, se dividirmos o número 12.960.000 por 2.160 (o número de anos para mudar de casa zodiacal), o resultado será 6 mil, ou seja, 1 mil vezes 6. Seis como número de "dias" já é bem conhecido - nós o encontramos no início da Bíblia, quando ela trata da gênese e os seis dias da Criação. Teria o salmista visto as tábulas matemáticas onde en­contraria a linha: "12.960.000 cuja 2.160ª. parte é 1 mil vezes seis"? É realmente intrigante descobrir que os salmos ecoam os números com os quais os Anunnaki brincaram.
No salmo 90 e outros, a palavra hebraica que foi traduzida como "ge­ração" é Dor. Ela deriva da raiz dur, "ser circular, descrever um círcu­lo". Tratando-se de seres humanos, a palavra realmente pode represen­tar uma geração, mas para corpos celestes ela significa completar um ciclo em tomo do Sol, ou seja, uma órbita. É com esse conhecimento que conseguimos captar o verdadeiro significado do salmo 102, a co­movente prece de um mortal ao Eterno:

Porém tu, Iahweh, estás entronizado para sempre,
e tua lembrança passa de ciclo para ciclo!

Iahweh se inclinou do seu alto santuário,
e do céu contemplou a Terra...

Não me arrebatas na metade de meus dias
ó tu cujos anos estão em ciclos de ciclos!

Eles perecem, mas tu permaneces...
Mas tu existes, teus anos jamais findarão!

Basear toda a matemática na relação entre o ciclo de 3.600 anos ter­restres da órbita de Nibiru e o retardamento precessional da Terra em sua órbita em torno do Sol - foi esse o segredo da Sabedoria dos Números que os Anunnaki desceram do céu para a Terra.

Antes que o homem pudesse "fazer cálculos com números", ele teve de dominar a escrita e a leitura. Aceitamos como algo muito natural a capacidade de fala do ser humano e a existência de língua para nos comunicarmos com nossos semelhantes (ou compatriotas). Todavia, para a ciência, esse fato não é tão simples assim. Na verdade, até bem recen­temente, os cientistas que estudam a fala e a linguagem acreditavam que o surgimento do "homem falante" fora um fenômeno bem tardio na escala da evolução e que esse poderia ser um dos motivos para os Cro-Magnon, que podiam falar e conversar entre si, superar o Nean­derthal, que não falava.
Esse, contudo, não é o ponto de vista bíblico. A Bíblia aceita com naturalidade o fato de que os Elohim que estavam na Terra muito antes de Adão podiam falar e conversar entre si. Isto está claro na afirmação de que o homem foi criado como resultado de uma discussão entre os Elohim, onde falou-se: "Façamos o homem a nossa imagem e a nossa semelhança". Isso implica não somente na capacidade de falar mas tam­bém na existência de uma linguagem com a qual eles se comunicaram.
Examinemos agora Adão. Ele foi colocado no Jardim do Éden e re­cebeu instruções sobre o que poderia comer e o que deveria evitar. As ordens foram bem entendidas por ele, como esclarece a conversa subseqüente com a serpente. Esta (cuja identidade é discutida em The Wars of Gods and Men) dirigiu-se à mulher: "Então Elohim disse que vós não podeis comer de todas as árvores do jardim?" Eva confirma e diz que o fruto de uma determinada árvore era proibido e comê-lo resulta­ria em pena de morte. Mas a serpente garantiu à mulher que não era bem assim, e ela e Adão comeram o fruto proibido.
Segue-se um longo diálogo. Adão e Eva escondem-se quando ouvem os passos de Iahweh, "que caminhava no jardim à brisa do dia". Iahweh chamou o homem: "Onde estás?" e segue-se a seguinte conversa:

Adão: Ouvi teu passo no jardim e tive medo porque estou nu e então me escondi.
Iahweh: E quem te fez saber que estavas nu? Comeste, então, da ár­vore que te proibi de comer?
Adão: A mulher que puseste junto de mim me deu da árvore e eu comi.
Iahweh [para a mulher]: Que fizeste?
Eva: A serpente me seduziu e eu comi.

É uma conversa e tanto. Não é só a deidade que sabe falar. Adão e Eva também falam e entendem a conversa de Iahweh. Assim, em que língua conversaram? Tinha de haver uma, pois é o que nos conta a Bí­blia. Então, se Eva foi a primeira mãe, existiu também uma primeira linguagem - uma língua-mãe?
Mais uma vez os eruditos começaram divergindo da Bíblia. Eles afir­mavam que a linguagem era mais uma herança cultural do que uma característica evolucionária. Imaginavam que o homem progredira de grunhidos para gritos significativos (ao avistar a presa ou pressentir pe­rigo) e daí para uma fala rudimentar que surgira com a formação dos primeiros clãs. De palavras e gestos nasceram as línguas - muitas de­las -, iniciando-se simultaneamente aqui e ali com a formação de dife­rentes clãs e tribos.
Essa teoria da origem das línguas não apenas ignorava o significado das histórias da Bíblia sobre os Elohim e as conversas no Jardim do Éden, como negava a afirmação de que antes do incidente da Torre de Babel "todo o mundo se servia de uma mesma língua e das mesmas pala­vras". Ela também não dava atenção ao fato de que foi um ato delibera­do dos Elohim dispersarem a humanidade sobre a face da Terra e "con­fundirem sua linguagem para eles não mais se entenderem uns com os outros".
É gratificante ver que nos últimos anos a ciência moderna vem se convencendo de que existiu mesmo uma língua-mãe e que ambos os tipos de Homo sapiens - o Cro-Magnon e o Neanderthal - podiam falar desde seu aparecimento.
O fato de muitas línguas terem palavras com o mesmo som e signifi­cado semelhantes nunca foi contestado. No século passado, estudiosos alemães, trabalhando com base nesse fato, agruparam as línguas em fa­mílias, chamando-as de "indo-europeu", "semita", "hamita" etc. Es­se agrupamento tornou-se o principal obstáculo para o reconhecimento da existência de uma língua-mãe, pois era baseado na noção de que grupos de línguas totalmente diferentes e não relacionados entre si ti­nham surgido em "zonas núcleo" independentes e daí se espalhado para outras terras pelas migrações. Tentativas de mostrar que existem simi­laridades patentes entre palavras e significados até entre grupos muito distantes, como a do reverendo Charles Foster, no século passado (The One Primeval Language), onde ele apontava os precursores mesopotâ­micos do hebraico, foram ignoradas sob a alegação de que não passa­vam de afirmações de teólogos interessados em elevar o status da lin­guagem bíblica, o hebraico.
Foi, sobretudo o avanço em outros campos, como a antropologia, bio­genética e informática que abriu novas vertentes para o estudo que al­guns chamam de "genética lingüística". A idéia de que as línguas se desenvolveram bastante tarde na marcha do homem para a civilização - antes o início da linguagem (não apenas da fala) era colocado há ape­nas 5 mil anos - teve de ser corrigida quando a arqueologia provou que os sumérios já escreviam há 6 mil anos. Quando os estudiosos esta­vam passando a data para 10 mil e 12 mil anos atrás, a procura por pontos de similaridade nas línguas, acelerada pelo uso de computadores, levou-os a descobrir protolínguas e, assim, agrupamentos cada vez maiores e menos numerosos.
Buscando uma filiação primitiva para as línguas eslávicas na década de 60, cientistas soviéticos liderados por Vladislav Illich-Svitych e Aa­ron Dolgopovsky defenderam a existência de uma protolíngua, à qual deram o nome de Nostrático (do latim "nossa língua"), a qual sem o núcleo da maioria das línguas européias, inclusive o eslávico. Mais tarde eles apresentaram indícios para favorecer a aceitação da existência de uma segunda protolíngua, que chamaram de Dene-Caucasiano, que seria a língua núcleo das linguagens do oriente. Baseados em mutações lingüísticas, esses cientistas afirmaram que as duas começaram há cer­ca de 12 mil anos. Nos Estados Unidos, Joseph Greenberg, da Universidade de Stanford, e seu colega, Merritt Ruhlen, sugeriram a existên­cia de uma terceira protolíngua, o Ameríndio.
Mesmo não me demorando na importância dessas descobertas, ela me incita a mencionar que a data de 12 mil anos atrás sugerida para o surgimento dessas protolínguas o coloca logo após o dilúvio, que ocorreu há 13 mil anos. A existência das três protolínguas também se ajusta à afirmação da Bíblia que a humanidade pós-diluviana dividiu-se em três ramos, por descender dos três filhos de Noé.
Os estudos prosseguiram e as descobertas arqueológicas continuaram jogando para trás a época das migrações humanas, algo especialmente importante para determinar a chegada do homem às Américas. Quan­do a data de 20 a 30 mil anos atrás já estava praticamente aceita, Joseph Greenberg causou sensação ao demonstrar em 1987 (Language in the Americas) que as centenas de línguas do Novo Mundo podiam ser agru­padas em apenas três famílias, às quais chamou de Esquimó-A1euta, Na­Dene e Ameríndio. O significado maior de suas descobertas foi que es­sas três famílias foram trazidas às Américas por migrantes vindos da África, Europa, Ásia e Pacífico, e, sendo assim, não eram verdadeiras protolínguas, mas rebentos de línguas do Velho Mundo. Greenberg mos­trou que a NaDene era relacionada com o grupo Dene-Caucasiano dos estudiosos soviéticos. Merritt Ruhlen escreveu na Natural History (março de 1987), que essa família parece ser a mais "geneticamente próxima" do grupo de línguas que inclui o "extinto etrusco e o sumério". "A Esquimó-Aleuta", continuou, "é a mais aparentada com as línguas indo-­européias." (Os leitores que desejam se aprofundar na questão da chegada do homem às Américas encontrarão mais informações em The Lost Realms, Livro IV da série "Crônicas da Terra").
Mas será que as verdadeiras línguas só surgiram cerca de 12 mil anos atrás, depois do dilúvio? Segundo a Bíblia, a linguagem já existia nos primórdios do Homo sapiens (Adão e Eva), e os textos sumérios repeti­damente referem-se a tábulas de argila de antes do dilúvio. O rei assírio Assurbanipal vangloriou-se de que, sendo tão entendido como Adapa, era capaz de ler "tábulas dos tempos antes do dilúvio". Assim, está claro que existia uma língua verdadeira muito antes dessa data.
Novas descobertas apresentadas por paleontólogos e antropólogos obri­garam os lingüistas a regredirem ainda mais no tempo e no início da fala. Os achados na caverna de Kebara, já mencionados, forçaram uma reavaliação completa das datas anteriores.
Entre os fósseis de Kebara encontrou-se uma pista impressionante: restos de esqueletos de Neanderthal de 60 mil anos onde havia um osso hióide intacto, o primeiro descoberto em todo o mundo. Esse osso em forma de chifre que fica entre o queixo e a laringe (caixa vocal) serve para ancorar os músculos que movem a língua, o maxilar inferior e a laringe, e é esse conjunto que possibilita aos humanos falarem.
Combinado com outras características do esqueleto, o osso hióide for­neceu provas inequívocas de que o homem podia falar como hoje há pelo menos 60 mil anos e talvez até bem antes disso. O homem de Nean­derthal, como afirmou a equipe composta de seis cientistas internacio­nais liderados por Baruch Arensburg, da Universidade de Telavive, na Nature (27 de abril de 1987), "possuía a base morfológica para a capa­cidade humana da fala".
Se isso é fato, como o indo-europeu, cujas origens estão situadas pelos lingüistas poucos milhares de anos atrás, pode ter uma posição tão proeminente na árvore da linguagem? Menos inibidos em diminuir o status do indo-europeu do que seus colegas ocidentais, os estudiosos soviéticos continuaram sua audaciosa procura por uma "proto-­protolinguagem". Os que têm se destacado nessa busca são Aaron Dol­gopolsky, atualmente da Universidade de Haifa, e Vitaly Shevorosh­kin, atualmente na Universidade de Michigan. Foi, sobretudo devido à iniciativa deste último que organizou-se uma conferência sobre o te­ma nessa universidade, em novembro de 1988. Intitulada "Lingua­gem e Pré-História", ela reuniu mais de quarenta representantes das áreas da lingüística, antropologia, arqueologia e genética, vindos de se­tes países. Chegou-se então ao consenso de que houve uma "monogê­nese" das linguagens humanas, ou seja, todas elas derivam de uma língua-mãe que existiu num estágio "proto-proto-proto" há cerca de 100 mil anos.
No entanto, cientistas de outros campos relacionados com a anato­mia da fala, como Philip Lieberman, da Universidade Brown, e Dean Falk, da Universidade Estadual de Nova York, em Albany, vêem a fala como uma característica do Homo sapiens desde que esses homens "pen­santes e sábios" surgiram no mundo. Especialistas em cérebro, como Ronald E. Myers, do Instituto Nacional de Desordens Comunicativas e Acidentes Vasculares, acreditam que "a fala humana desenvolveu-se espontaneamente, sem relação com a vocalização grosseira dos outros primatas", assim que os humanos adquiriram o cérebro composto de duas partes.
Allan Wilson, que participou da pesquisa genética que resultou na conclusão "Uma Mãe para Todos", colocou a fala de volta na boca de "Eva". Como ele anunciou num seminário realizado em janeiro de 1989 na Associação Americana para o Avanço da Ciência: "A capacidade hu­mana de falar pode ter tido origem numa mutação genética que ocor­reu numa mulher que viveu na África há 200 mil anos".
"A tagarelice começou com Eva", foi a manchete de um jornal que cobriu a conferência. Bem, segundo a Bíblia, começou com Eva e Adão.

Assim, chegamos à outra importante habilidade do homem: a escri­ta. Atualmente acredita-se que muitas das formas e símbolos encontra­dos nas cavernas da Europa e atribuídas aos Cro-Magnon, que lá viveram entre 20 e 30 mil anos atrás, não passam de grosseiros pictogramas - "escrita por figuras". Sem dúvida, o homem aprendeu a escrever muito depois de começar a falar. Os textos mesopotâmicos insistem em que havia escrita antes do dilúvio e não existem motivos para não se acreditar neles. Todavia, a mais antiga escrita de que se tem notícia até hoje é o sumério primitivo, que também usava pictogramas. Foram ne­cessários alguns séculos até essa escrita evoluir para o cuneiforme, que se tornou o meio de escrever todas as línguas da Ásia da Anti­guidade até ser finalmente substituído, milênios depois, pelo alfabeto.

Um primeiro olhar para um texto em caracteres cuneiformes nos dá a impressão de estarmos diante de uma incrível confusão de marqui­nhas curtas e longas, e pontinhos feitos na argila úmida com um estile­te com ponta em forma de cunha. Existem centenas de carac­teres e parece incrível que os escribas conseguiam lembrar-se de todos eles e seus significados. Todavia, essa é exatamente a atitude de um oci­dental ao se deparar com a escrita chinesa. O fato é que três gerações de eruditos conseguiram arranjar os caracteres cuneiformes numa or­dem lógica e em resultado disso surgiram léxicos e dicionários de todas as línguas da Antiguidade que usavam a escrita cuneiforme, como o sumério, babilônio, assírio, hitita, elamita etc.
A ciência moderna, porém, revela que houve mais do que uma certa ordem lógica na criação de uma diversidade tão grande de sinais.
Os matemáticos, especialmente aqueles que se dedicam ao estudo da teoria dos grafos - o estudo dos pontos unidos por linhas - estão bem familiarizados com os Números Ramsey, assim chamados por causa de Frank P. Ramsey, um matemático britânico que, num trabalho apre­sentado à Sociedade Matemática de Londres em 1928, apresentou um método para se calcular as várias maneiras de como os pontos podem ser ligados e as formas disso resultantes. Aplicadas a jogos e charadas, e também à ciência e arquitetura, a teoria dos grafos tornou possível mostrar, por exemplo, que, quando seis pontos representando seis pes­soas são unidos por linhas vermelhas e azuis (as vermelhas unindo quais­quer duas pessoas que se conhecem e as azuis ligando dois estranhos), as figuras resultantes serão sempre triângulos azuis. Sob os grafos (isto é, formas) estão os Números Ramsey, que podem ser convertidos em grafos ligan­do um certo número de pontinhos. Isso resulta em dezenas de "gra­fos" cuja similaridade com os sinais cuneiformes mesopotâmicos é ine­gável.
A quase centena de sinais possíveis, dos quais uma parte está ilustra­da aqui, são figuras simples baseadas em não mais do que uma dúzia de Números Ramsey. Ora, se Enki, e sua filha Nidaba, a "deusa da escrita" da Suméria, possuíam tanto conhecimento matemático como Ramsey, eles não devem ter encontrado dificuldades em inventar para os escribas sumérios um sistema matematicamente perfeito de caracte­res cuneiformes.
"Eu te abençoarei grandemente e multiplicarei tua semente como as estrelas do céu", disse Iahweh a Abraão. Nesse único verso estão ex­pressos vários elementos do conhecimento que foi descido dos céus: a fala, a astronomia e o "cálculo com números".
A ciência moderna está a caminho de comprovar tudo isso.



OS FRUTOS DE ÉDEN

O que era o Jardim do Éden, lembrado na Bíblia pela variedade de sua vegetação e como o lugar onde animais ainda sem nome foram mos­trados a Adão?
A ciência moderna nos ensina que os melhores amigos do homem, as plantas que cultivamos e os animais que criamos, foram domesticados logo depois de 10.000 a.C. Então o trigo e a cevada, os cães e carneiros (para citar alguns exemplos), tal como os conhecemos hoje, existem há não mais de 2 mil anos. Admite-se que isso é apenas uma fração do tem­po que uma seleção natural exigiria.
Os textos sumérios nos oferecem uma explicação. Segundo eles, quan­do os Anunnaki chegaram à Terra, não existiam essas plantas e animais "domesticados". Foram os "deuses" que os fizeram nascer em sua "câ­mara de criação". Junto com o lahar ("gado de lã") e o anshan ("grãos") eles fizeram surgir "vegetação luxuriante que se multiplica". Tudo foi feito em Edin. Depois de sua criação, Adão foi levado para lá com o pro­pósito de cuidar de tudo.
Assim, o famoso Jardim do Éden era um enclave ou fazenda biogené­tica onde nasceram as plantas, frutos e animais "domesticados".
Depois do dilúvio, há cerca de 13 mil anos, os Anunnaki forneceram à humanidade as sementes de plantas e animais, que tinham preservado para tudo começar de novo. Só que dessa vez o próprio homem teria de ser o agricultor. A Bíblia reconhece esse fato e atribui a Noé a honra de ter sido o primeiro deles. Ela também conta que a primeira planta a ser cultivada depois do dilúvio foi a videira. A ciência moderna confirma a antiguidade das uvas. E mais, ela descobriu que além de ser um ali­mento nutritivo, o vinho delas derivado é um potente remédio para ma­les gastrointestinais. Assim, quando Noé bebeu (em excesso) estava, por assim dizer, tomando-o com fins medicinais.

Nenhum comentário: