segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Os Mistérios da Criação (Zecharia Sitchim)

A narrativa bíblica da criação do Homem é, naturalmente, o ponto crucial do debate, às vezes acirrado, entre criacionistas e evolucionistas - que em certas ocasiões chega aos tribunais. Como já foi dito, os dois lados deveriam reler a Bíblia (no original hebraico); o conflito desapa­receria, já que os evolucionistas reconhecem as bases científicas do Gê­nesis e os criacionistas compreenderiam o que os textos querem real­mente dizer.
Deixando de lado a noção ingênua de alguns de que os "dias" do livro do Gênesis se referem literalmente a períodos de 24 horas e não a eras, ou fases, a seqüência da Bíblia é uma descrição da evolução em acordo com a ciência moderna, como demonstraram os capítulos ante­riores. O problema intransponível surge quando os criacionistas insis­tem em que nós, a humanidade, o Homo sapiens sapiens, fomos criados instantaneamente por "Deus", sem antecessores evolucionários. "En­tão o senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser viven­te." Esse é o relato da criação do Homem segundo o Capítulo 2, verso 7 do livro do Gênesis - segundo a versão moderna e a inglesa do rei James; e é o que os criacionistas fanáticos acreditam piamente.
Se eles lessem o texto em hebraico - que, afinal, é o original -, des­cobririam, em primeiro lugar, que o ato da Criação é atribuído a um certo Elohim - um termo plural que deveria ser traduzido, pelo me­nos, por "deuses" e não "Deus". Em segundo lugar, ficariam saben­do que o verso também explica como "Adão" foi criado: "porque não havia um Adão para cultivar o solo". Esses dois indícios são importantes - e incertos a respeito de quem criou o homem e por quê.
Naturalmente, existe outro problema no Gênesis 1:26-27, uma ver­são anterior da criação do homem. Primeiro, de acordo com a versão do rei James e outras, "Deus disse: Façamos o homem a nossa imagem, como nossa semelhança"; a seguir, a sugestão é executada: "Deus criou o homem a sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou". O relato bíblico fica mais complicado na narra­tiva seguinte do Capítulo 2, "Adão" ficou só até Deus dar-lhe uma com­panheira feita de sua costela.
Enquanto os criacionistas acham difícil decidir qual é a versão dog­mática, sine qua non, ainda existe o problema do pluralismo. A suges­tão da criação do Homem vem de uma entidade plural que fala a uma audiência plural: "Façamos um Adão a nossa imagem, como nossa se­melhança". Os que acreditam na Bíblia devem se perguntar: o que está acontecendo?
Os orientalistas e estudiosos da Bíblia já sabem que a redação e o resumo que os compiladores do livro do Gênesis fizeram foram basea­dos em textos bem mais antigos e detalhados, primeiro escritos em sumério. Esses textos, revistos e muito citados em O 12º. Planeta, com todas as fontes de informação, relegam a criação do Homem aos Anun­naki. Em longas descrições como o Atra Hasis, sabemos que os solda­dos rasos astronautas que vieram à Terra para minerar ouro acabaram se rebelando. O trabalho estafante de mineração no sudeste da África tinha ficado insuportável. Enlil, o comandante-chefe, fez seu pai Anu, governante de Nibiru, convocar uma assembléia dos Grandes Anunna­ki e exigiu punição severa para a tripulação amotinada. Mas Anu foi mais compreensivo: "De que os acusamos?", perguntou depois de ou­vir as queixas dos rebeldes. "O trabalho deles estava muito pesado, sua aflição era muito grande." E logo sugeriu se não existia outro jeito de obterem ouro.
O filho Enki (meio-irmão de Enlil e seu rival), o brilhante cientista-­chefe dos Anunnaki, disse que havia: "É possível libertar os Anunnaki dessa servidão terrível tendo mais alguém para fazer o trabalho pesado:
Vamos criar um Trabalhador Primitivo!”
A idéia agradou à assembléia dos Anunnaki. Quanto mais discutiam, mais aumentava o clamor por esse Trabalhador Primitivo, um Adamu para se encarregar do trabalho pesado. Mas ficaram imaginando como ele poderia criar um ser com inteligência suficiente para usar ferramentas e obedecer às ordens. Como conseguiria criar, "produzir", o Trabalhador Primitivo? A tarefa era possível, realmente?
Um texto sumério imortalizou a resposta de Enki aos Anunnaki reu­nidos, que viam na criação de um Adamu a solução para seu trabalho insuportável:
A criatura cujo nome vocês proferiram ­ELA EXISTE!
"Tudo o que vocês têm a fazer", aduziu ele, "é ligá-la à imagem dos deuses".
Nessas palavras está a chave do enigma da criação do Homem, o con­dão mágico que remove o conflito entre o evolucionismo e o criacionis­mo. Os Anunnaki, ou os Elohim dos versos bíblicos, não criaram o ho­mem do nada. O ser já existia ali na Terra, o produto da evolução da­quele estágio. Era necessário apenas, para elevá-lo ao nível necessário de habilidade e inteligência, aproximá-lo da "imagem dos deuses", a dos próprios Elohim.
Para simplificar, chamaremos esse ser que existia de Homem-Macaco e Mulher-Macaco. O processo imaginado por Enki era "ligar", na cria­tura existente, a "imagem" - a feição genética interna - dos Anunna­ki; em outras palavras, desenvolver o Homem-Macaco pela manipula­ção genética e dar um salto na Evolução criando o "Homem" - Homo sapiens.
O termo Adamu, que evidentemente inspirou o nome do Adão bíbli­co, significa "imagem" no texto sumério e é repetido intacto no texto bíblico, não sendo apenas um indício da origem sumério-mesopotâmica da história do Gênesis sobre a criação do Homem. O plural bíblico e a descrição de um grupo de Elohim chegando a um consenso seguido da ação necessária também perdem o aspecto enigmático se levarmos em conta as fontes mesopotâmicas.
Nelas nós lemos que os Anunnaki reunidos resolveram executar o pro­jeto e Enki sugeriu que encarregassem Ninti dessa tarefa, porque era a médica oficial:

Elas convocaram e pediram à deusa,
à parteira dos deuses, à sábia doadora da vida,
[dizendo;]
"Dê vida a um ser, crie trabalhadores!
Crie um trabalhador primitivo
para que ele possa suportar o jugo!
Que ele carregue o jugo imposto por Enlil,
Que o Trabalhador suporte a fadiga dos deuses!”

Não podemos afirmar com certeza se os redatores do Gênesis fize­ram uma versão abreviada do texto do Atra Hasis, acima citado, ou de relatos sumérios mais antigos. Mas encontramos uma situação que demonstra a necessidade de um Trabalhador Primitivo, a assembléia dos deuses, a sugestão e a decisão de prosseguir e criar um ser. Com a com­preensão das fontes, podemos entender a narrativa bíblica dos Elohim - os Altíssimos, os "deuses" - dizendo: "Façamos Adão a nossa ima­gem, a nossa semelhança" como um remédio para a difícil situação: "não havia um Adão para cultivar a terra".
Até a Bíblia começar a relatar a genealogia e a história de Adão como pessoa específica, o livro do Gênesis refere-se a ele apenas como "o Adão", um termo genérico, como expliquei em O 12º. Planeta. O rela­to não citava uma pessoa chamada Adão, mas queria dizer o "terrá­queo", que é o verdadeiro sentido da palavra vinda da raiz Adamah, a "Terra". Mas trata-se também de um jogo de palavras: Dam significa especificamente "sangue" e reflete, como veremos adiante, o modo de "manufaturar" o Adão.
O termo sumério para designar o homem é LU, Mas sua raiz não sig­nifica "ser humano", mas sim "trabalhador, servidor"; quando apare­ce como componente de nomes de animais significa que são "domesti­cados". Na linguagem acadiana do Atra Hasis (de onde vieram todos os idiomas semíticos), recém-criado chamou-se lulu, que também sig­nificava "misto" em sentido mais profundo. Era, portanto, outra refe­rência à origem de Adão: o "terráqueo" ou "Feito de sangue".
Muitos textos de argila da Mesopotâmia, encontrados em diferentes estados de conservação e fragmentação, foram revistos depois da edição de O 12º. Planeta, assim como os "mitos" de criação de outros povos do Velho e do Novo Mundo. Todos eles registram um processo envol­vendo a mistura de um elemento divino a um terrestre. Geralmente o elemento divino é descrito como uma "essência" derivada do sangue de um deus, aliada a um elemento terrestre como "argila", ou barro.
Não há dúvida que todos tentaram contar a mesma história porque todos falam do Primeiro Casal. A origem certamente é suméria, e nessas narrativas encontramos descrições elaboradas e detalhadas a respeito do feito maravilhoso: a mistura dos genes "divinos" dos Anunnaki aos genes "terrestres" do Homem-Macaco.
Foi a fertilização in vitro, em tubos de ensaio, como sugere a ilustra­ção de um selo cilíndrico. Como venho repetindo desde que a ciência moderna conseguiu igualar o feito, Adão foi o primeiro bebê de proveta...
Existem motivos para acreditarmos que Enki sabia que essa manipu­lação genética era possível ao sugerir a criação do Trabalhador Primiti­vo. Sua sugestão de encarregar Ninti da execução também não foi uma idéia momentânea.
Estabelecendo as bases para os acontecimentos seguintes, o Atra Ha­sis inicia a história do Homem na Terra atribuindo os deveres dos che­fes Anunnaki. Quando a rivalidade entre os dois meios-irmãos Enlil e Enki atingiu um nível perigoso, Anu sorteou seus lotes. Enlil recebeu o comando dos primeiros acampamentos e das operações de E.DIN (o Éden bíblico); Enki foi enviado à África para supervisionar AB.ZU, a terra das minas de ouro. Sendo um grande cientista, Enki deve ter pas­sado boa parte do tempo estudando a flora e a fauna da região, assim como os animais que seriam, 300 mil anos depois, os fósseis encontra­dos por Leakey e outros paleontólogos no sudeste da África. Como os cientistas de hoje, Enki deve ter imaginado o curso da evolução na Ter­ra. Os textos sumérios sugerem que ele concluiu que a mesma "semente da vida", que Nibiru trouxera de sua região ao interior do espaço, ti­nha fecundado os dois planetas; antes Nibiru e mais tarde a Terra, já que a última recebeu na colisão as sementes que germinaram.
Sem dúvida, o ser que mais o fascinou foi o Homem-Macaco, já um passo à frente dos outros primatas, um hominídeo ereto que usava pe­dras lascadas como ferramenta. Era um proto-homem, mas não ainda plenamente desenvolvido. Enki deve ter-se divertido diante do desafio intrigante de "bancar Deus" ao realizar as experiências de manipula­ção genética.
Para isso, ele pediu a Ninti que fosse para a África ficar a seu lado. O motivo oficial foi plausível, já que ela era a médica oficial; seu nome significava "Senhora Vida" (mais tarde recebeu o apelido Mammi, raiz universal de mãe). Tornara-se evidente a necessidade de serviços médi­cos, considerando as condições difíceis de trabalho nas minas. Mas ha­via mais que isso no convite: desde o início, Enlil e Enki desejavam os favores sexuais de Ninti porque ambos precisavam de um herdeiro da meia-irmã. Os três eram filhos de Anu, o governante de Nibiru, mas tinham mães diferentes e, de acordo com as regras de sucessão entre os Anunnaki, o herdeiro não era necessariamente o primogênito e sim gerado por uma meia-irmã da mesma linhagem real (costume adotado pelos sumérios e refletido nas histórias bíblicas dos patriarcas). Os tex­tos sumérios descrevem cenas de amor ardente entre Enki e Ninti, mas o resultado não foi o esperado porque só geraram filhas. Sendo assim, o interesse era somente científico quando Enki sugeriu que Ninti exe­cutasse a tarefa.
Sabendo de tudo isso, não nos surpreendemos ao ler nos textos da Criação que Ninti declarou, em primeiro lugar, que não poderia reali­zar a tarefa sozinha, pois precisava da ajuda e dos conselhos de Enki; em segundo, que a experiência devia ser feita em Abzu, onde disporia do material necessário e das instalações apropriadas. Na verdade, os dois devem ter feito várias experiências antes da sugestão dada na assem­bléia dos Anunnaki: "Façamos um Adamu a nossa imagem". Algumas ilustrações antigas mostram "Homem-Touro" acompanhados de mulheres-macacos sem pêlo ou "Homem-Pássaro". As esfinges (touros ou leões com cabeças humanas) que adornavam tantos templos antigos podem ter sido mais que uma simples alegoria imagi­nária, e quando o sacerdote babilônio Berossus escreveu a cosmogonia suméria e a história da Criação, descreveu um período pré-humano em que "apareceram homens com duas asas", "um corpo com duas cabeças", seres com "órgãos masculinos e femininos misturados", "alguns com pernas e chifres de bode" e outras anomalias mistas de homens e animais.
Os textos sumérios mostram que essas criaturas não foram falhas da natureza, mas o resultado de experiências deliberadas de Enki e Ninti. Chegam a descrever como os dois criaram um ser desassexuado, um homem que não reprimia a urina, uma mulher estéril e criaturas com vários outros defeitos. Finalmente, numa declaração desafiadora, com um toque de malícia, Ninti falou:

Quão bom ou mau é o corpo do homem?
Como meu coração inspira,
Posso tornar seu destino bom ou mau.

Tendo chegado a esse estágio mais aperfeiçoado de manipulação, po­dendo determinar no corpo, bons ou maus aspectos, os dois sentiram que podiam enfrentar o desafio final: misturar os genes dos hominí­deos, Homem-Macaco, com os genes dos próprios Anunnaki. Usando todo o conhecimento adquirido, os dois Elohim iniciaram a manipula­ção que apressou a evolução. Sem dúvida, o homem moderno teria evo­luído na Terra de qualquer jeito antes do que aconteceu em Nibiru, porque os dois eram originários da mesma "semente da vida". Mas ha­via um longo caminho e muito tempo a percorrer do estágio dos homi­nídeos, há 300 mil anos, até o nível de desenvolvimento que os Anun­naki já tinham atingido naquela época. Se no curso de 4 bilhões de anos o processo evolucionário tivesse começado em Nibiru, conside­rando apenas 1 por cento desse período, a Evolução estaria 40 milhões de anos mais adiantada ali do que na Terra. Os Anunnaki terão feito a evolução em nosso planeta dar um salto de 1 ou 2 milhões de anos? Ninguém pode calcular quanto tempo seria necessário para o Homo sa­piens evoluir naturalmente dos hominídeos terrestres anteriores, mas, com certeza, 40 milhões de anos seriam mais que suficientes.
Chamados para executar a tarefa de "modelar os servidores dos deu­ses", ou, nas palavras dos textos antigos, "realizar uma grande obra de sabedoria", Enki deu a Ninti as seguintes instruções:

Misture a uma essência o barro
da base da Terra,
pouco acima de Abzu,
e modele na forma de um caroço.
Eu provarei bons e sábios jovens Anunnaki
que darão ao barro a condição correta.

Analisei, em O 12º. Planeta, a etimologia dos termos sumério e aca­diano geralmente traduzidos por "argila" ou "barro" e demonstrei que eles evoluíram da palavra sumério TI.IT. Ela significa literalmente "aque­le que está com vida"; adquiriu depois os sentidos derivados de "argi­la", "barro" e também de "ovo". O elemento terrestre no processo de "ligar" em um ser que já existia "a imagem dos deuses" devia, por­tanto, ser o óvulo da Mulher-Macaco.
Todos os textos que se referem a esse acontecimento esclarecem que Ninti deixou Enki fornecer o elemento terrestre, esse óvulo da Mulher-­Macaco de Abzu, do sudeste da África. De fato, existe a especificação exata do lugar das minas (uma área identificada em O 12º. Planeta que fica na Rodésia do Sul, hoje Zimbábue), em um lugar acima, mais ao norte. Como mostraram descobertas recentes, essa área foi realmente o local em que surgiu o Homo sapiens...
Ninti era encarregada de obter os elementos "divinos". Eram neces­sárias duas extrações de óvulos para uma da essência de uma Annuna­ki, e um jovem "deus" foi cuidadosamente selecionado para esse pro­pósito. As instruções de Enki a Ninti foram que ela colhesse o sangue e o shiru do deus e depois imergisse em um "banho purificante" para obter suas "essências". Do sangue seria retirado o TE.E.MA, traduzido por "personalidade", expressando o que faz uma pessoa ser diferente das outras. Mas a tradução "personalidade" não define a precisão cien­tífica do termo que originalmente significava em sumério: "o que abri­ga, o que liga a memória". Atualmente daríamos a isso o nome de "genes".
Outro elemento a ser retirado dos jovens Anunnaki era o shiru, co­mumente traduzido como "sangue". Com o tempo, a palavra adqui­riu, entre outras conotações, o sentido de "carne", mas no sumério an­tigo referiam-se ao sexo e aos órgãos reprodutores. Sua raiz significava basicamente "ligar", o que "liga". A extração do shiru foi relacionada em outros textos sumérios com o termo kiru e, sendo do homem, signi­ficava "sêmen", o esperma.
Essas duas extrações divinas deviam ser bem misturadas por Ninti em um banho purificante e o epíteto lulu ("misto") para o Trabalhador Primitivo certamente teve raiz nesse processo de mistura. Na lingua­gem atual chamaríamos o "Híbrido".
Todos esses processos deviam ser executados em perfeitas condições de higiene. Um texto menciona como Ninti lavou as mãos antes de to­car no "barro". O local era uma construção especial chamada em aca­diano de Bit Shimti, da raiz suméria SHI.IM.TI, literalmente "casa on­de o vento da vida é soprado". É a fonte, sem dúvida, da afirmação bíblica de que Elohim, depois de modelar o Adão do barro, "soprou em suas narinas o hálito da vida". O termo bíblico Nephesh, "sopro da vida", às vezes é traduzido como "alma". A mesma palavra é em­pregada na narrativa acadiana do acontecimento na "casa onde o vento da vida é soprado" depois de completarem os processos de purificação e extração:

O deus que purifica o napishtu, Enki,
falou.
Sentado diante dela [Ninti] ele a convocou.
Depois de proferir seu encantamento
ela pôs a mão no barro.

Em um selo cilíndrico há uma ilustração possivelmente relacionada a esse texto antigo. Nela, Enki, sentado, convoca Ninti (re­presentada por seu símbolo, o cordão umbilical) e aparecem atrás os frascos usados como "tubos de teste".
A mistura do "barro" com todos os componentes e essências não era o fim do processo. O óvulo da Mulher-Macaco, depois de fertilizado com o esperma e os genes do jovem "deus" Anunnaki nos "banhos purificantes", era depositado em um "molde" onde a liga devia se com­pletar. Já que essa fase depois é descrita como associada à determina­ção do sexo do ser engendrado, podemos supor que era esse o propósi­to da etapa de "ligar".
O prazo que o óvulo fertilizado permanecia no "molde" não é decla­rado, mas é bem esclarecido o que devia ser feito com ele. Depois de fertilizado e "moldado", precisava ser reimplantado em um ventre fe­minino, mas não na Mulher-Macaco original. Em vez disso, era esco­lhido o ventre de uma "deusa", uma Anunnaki! Só assim o resultado seria alcançado.
Depois de tantas tentativas e tantos erros para criar seres híbridos, como Enki e Ninti podiam ter certeza de obter um lu1u perfeito ao reim­plantar o óvulo em uma Anunnaki? Ou ela podia parir um monstro e pôr em risco a própria vida?
Evidentemente, não tinham certeza absoluta. Como acontece tão fre­qüentemente com cientistas que servem de cobaia em experiências pe­rigosas que exigem um ser humano, Enki anunciou aos Anunnaki reu­nidos que sua própria esposa Ninti ("Senhora da Terra") se oferecera para isso. "Ninti, minha deusa-esposa, será a escolhida para esse tra­balho"; ela determinaria o destino do novo ser:

O destino do recém-nascido tu proferirás;
Ninti fixará nele a imagem dos deuses;
E o que ele for será o "Homem".

As Anunnaki escolhidas como Deusas do Nascimento receberam or­dem de Enki de ficar e observar o que aconteceria se as experiências fossem bem-sucedidas. Como os textos revelam, não foi um parto sim­ples e fácil:

As Deusas do Nascimento foram mantidas juntas.
Ninti sentou-se, contando os meses.
O fatídico décimo mês se aproximava.
O décimo mês chegou ­ -
o período de abrir o ventre tinha vencido.

Aparentemente o drama da criação do Homem incluiu um nascimento tardio e foi necessário uma intervenção cirúrgica. Compreendendo o que tinha feito, Ninti "cobriu a cabeça" e "fez a abertura" usando um instrumento cuja descrição foi danificada na tábula de argila. Em seguida, "o que estava no ventre surgiu". Segurando o recém-nascido, ela exultou de alegria. Ergueu-o para que todos o vissem e gritou triunfante:

Eu o criei!
Minhas mãos o fizeram!

O primeiro Adão tinha surgido.
O nascimento bem-sucedido de Adão - por si mesmo, segundo a primeira versão bíblica - confirmou a validade do processo e os ani­mou a prosseguir. Então foi preparado "barro misturado" suficiente para iniciar a gravidez em catorze Deusas do Nascimento ao mesmo tempo:

Ninti separou catorze porções de barro,
Sete ela depositou à direita,
Sete ela depositou à esquerda;
Entre elas ela colocou o molde.

Os processos já atingiam uma técnica genética capaz de criar sete ma­chos e sete fêmeas ao mesmo tempo. Em outra tábula lemos que Enki e Ninti:

Os sábios e eruditos,
Duplas de sete Deusas do Nascimento tinham reunido.
Sete deram à luz machos.
Sete deram à luz fêmeas;
As Deusas do Nascimento criaram
o Vento do Hálito da Vida.

Portanto, não existe nenhum conflito entre as várias versões bíblicas da criação do Homem. Primeiro o Adão criou-se por si mesmo, mas na fase seguinte o Elohim realmente criou os primeiros seres humanos, "macho e fêmea".
Os textos da Criação não declaram quantas vezes foi repetida a "produção em massa" de Trabalhadores Primitivos. Em outro lugar, lemos que os Anunnaki continuaram clamando por mais deles e que, final­mente, os que eram de Edin - Mesopotâmia - foram a Abzu, na Áfri­ca, e capturaram à força muitos Trabalhadores Primitivos para servi-los em sua terra. Também ficamos sabendo que nessa época, cansados da necessidade constante de Deusas do Nascimento, Enki iniciou uma se­gunda manipulação genética para dar ao povo híbrido a capacidade de procriação, mas a história desse avanço científico pertence ao próximo capítulo.
Tendo em mente que esses antigos textos nos chegam atravessando uma ponte histórica que se estende por milênios, deve-se admirar os escribas que registraram, copiaram e traduziram os textos mais remo­tos, provavelmente sem conhecerem com certeza o que esta ou aquela expressão ou termo técnico significavam originalmente, mas aderindo tenazmente às tradições que exigiam uma versão extremamente meti­culosa e precisa dos textos copiados.
Por sorte, à medida que entramos na última década do século 20 da Era Comum, contamos cada vez mais com o auxílio da ciência mo­derna. A "mecânica" da replicação celular e da reprodução humana, a função e código dos genes, a causa de muitos defeitos e doenças here­ditárias - processos biológicos como esses e muitos mais, agora são compreendidos. Talvez essa compreensão ainda não seja completa, mas já é suficiente para nos permitir avaliar os contos antigos e seus dados.
Com todo esse conhecimento moderno a nossa disposição, qual é o veredicto sobre as informações da Antiguidade? Trata-se de uma fanta­sia impossível ou os procedimentos e processos, descritos com grande atenção à terminologia, são corroborados pela ciência da atualidade?
A resposta é sim, é tudo como faríamos hoje - são os mesmos proce­dimentos que temos seguido nos últimos anos.
Sabemos hoje em dia que para se "criar" alguém ou alguma coisa "à imagem" e "semelhança" de um ser existente (seja uma árvore, um camundongo ou um homem), o novo ser tem de possuir os genes de seu criador. De outra forma, emergiria um ser totalmente diferente do original.

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